A nova Seconde Majeure combina códigos clássicos, engenharia experimental e uma leitura de tempo desconstruída, afirmando-se como uma das propostas independentes mais intrigantes de 2026.
A relojoaria de luxo vive um momento particularmente fértil: para lá das grandes maisons, são as colaborações independentes que começam a redefinir os limites entre design, mecânica e narrativa. É precisamente neste território que nasce a Seconde Majeure, resultado da união improvável entre a francesa Baltic e a disruptiva SpaceOne.
À primeira vista, as duas marcas parecem pertencer a universos opostos. A Baltic construiu a sua reputação sobre uma interpretação refinada da estética vintage, recuperando proporções clássicas, equilíbrio visual e uma abordagem acessível à alta relojoaria mecânica. Já a SpaceOne, fundada por Théo Auffret e Guillaume Laidet, aposta numa linguagem radicalmente futurista, onde a leitura das horas é reimaginada através de arquiteturas pouco convencionais.
O ponto de encontro não foi estratégico, mas humano. A relação entre os fundadores começou em 2021, durante um encontro de relojoeiros franceses na sede da Baltic, em Paris. Cinco anos depois, essa afinidade transforma-se numa peça que traduz ambas as filosofias sem comprometer nenhuma.
A Seconde Majeure apresenta uma leitura descentralizada do tempo: as horas surgem às 12 horas, os minutos às 6 horas, ambos exibidos através de discos de safira guiados por um ponteiro em forma de mira. Sobre esta composição aparentemente estática desliza um ponteiro central de segundos, elemento que dá nome ao relógio e introduz dinamismo visual ao mostrador. O resultado é uma estética quase cinemática, simultaneamente técnica e lúdica.
No coração da peça está um módulo de horas saltantes desenvolvido por Théo Auffret. O mecanismo revela parte da sua própria arquitetura no mostrador, expondo componentes como a roda de controlo central, a star wheel de 12 dentes e a jumper spring responsável pelo salto instantâneo das horas. Esta transparência funcional aproxima o utilizador da mecânica, transformando a complicação numa experiência visual.
A caixa de 38,5 mm em aço 904L abandona soluções previsíveis e adota um desenho totalmente novo. O acabamento alterna superfícies escovadas com uma luneta côncava polida, enquanto as asas arqueadas garantem ergonomia e presença discreta no pulso. Com 12,3 mm de espessura e resistência à água até 50 metros, a peça preserva proporções elegantes apesar da complexidade mecânica.
Disponível em duas versões de mostrador — Brushed e Charbonné — esta última recebe um acabamento manual realizado no atelier de Théo Auffret, exigindo até três horas de trabalho por unidade. Essa intervenção artesanal confere singularidade a cada exemplar e reforça a dimensão quase atelier desta edição.
Animado pelo calibre automático Soprod P024, com 42 horas de reserva de marcha, o modelo será disponibilizado exclusivamente em pré-encomenda entre 12 e 17 de maio de 2026. Cada relógio será numerado individualmente, com produção limitada ao volume de encomendas registadas nesse período. O preço começa nos 2.500 euros para a versão Brushed e 3.500 euros para a Charbonné, antes de impostos.






