“Quis que quem entrasse aqui sentisse que está dentro de uma casa portuguesa, não numa loja. A chita, os pratos, o vime: é a memória doméstica que enquadra a joalharia”, refere Ricardo Preto.
Com produção inteiramente sediada no Norte de Portugal através de uma rede de ourives independentes, a Portugal Jewels mantém o compromisso de recusar a industrialização. A nova loja é a manifestação física dessa filosofia. Onde outrora se gravavam carimbos, hoje habita a joalharia, mas a marca optou por manter intacto o testemunho do tempo: a fachada, a estrutura e as marcas que o espaço preserva.
A concepção do espaço é de Ricardo Preto, que assina aqui a sua primeira loja de joalharia. O interior é integralmente revestido a Chita de Alcobaça, o tecido estampado do século XVIII das casas de campo e dos enxovais portugueses. Pratos da Fiação Ratinho e cestaria de vime tecida à mão completam o conjunto, sobre mobiliário restaurado. Os padrões florais, as cores, os materiais – tudo remete ao universo doméstico para o qual a joalharia portuguesa foi originalmente feita: as casas, as festas, os enxovais.
De acordo com Alexandre Bastos, “A Portugal Jewels existe no ponto de encontro entre o antigo e o novo: técnicas portuguesas tradicionais, feitas para a forma como se vive hoje. O edifício de 1819 é a mesma ideia em forma física”.
Em 1760, a rua foi destinada aos ourives. Mais de dois séculos depois, a joalharia regressa à Rua Áurea através de uma casa que sobreviveu ao reino que a moldou.




